Caminho de Cora Coralina que liga Corumbá à Cidade de Goiás deve ser inaugurado na próxima sexta-feira


Versão goiana do Caminho de Santiago foi traçada com base em relatos de viagens realizadas desde o século 18, a foto mostra um homem no início da estrada, em Corumbá: pinturas em árvores e postes demarcam o trajeto para os amantes de trilhas e passeios culturais que terão um novo destino com muito para ver, comer, ouvir e aprender. 

Versão goiana do mundialmente famoso Caminho de Santiago, a trilha percorrerá cidades históricas de Goiás. O Caminho de Cora Coralina começa em Corumbá e se estende por quase 300 quilômetros, até a Cidade de Goiás, primeira capital do estado e terra da poetisa homenageada. Para inaugurar a trilha, a atleta de mountain bike Raíza Goulão e outros 15 ciclistas farão uma expedição de três dias, que começa quarta-feira.

Além da aventura dos atletas, haverá uma cerimônia de lançamento do Caminho de Cora Coralina no Museu Casa de Cora, na Cidade de Goiás, na noite de sexta-feira. Será lançado um site com as informações sobre o trajeto. A trilha cruza oito cidades goianas, incluindo Pirenópolis, Jaraguá, Itaguari e Itaberaí (veja mapa). Ao longo do trajeto haverá áreas de descanso e pontos de apoio, textos de Cora Coralina e de poetas das cidades visitadas, o que completa a integração do roteiro com foco na poesia, na paisagem natural e na culinária goiana.

A rota foi usada pelos bandeirantes há centenas de anos, em busca de riquezas minerais e da ocupação do território goiano. Os seus 282km podem ser percorridos de bicicleta, a pé ou a cavalo (carros não conseguem atravessar inúmeros trechos), com auxílio de GPS ou mapa. Os viajantes desfrutam não só de espaços em meio à vegetação do cerrado, mas também das belezas de residências dos séculos 18 e 19, das ruínas de antigas lavras de ouro e da presença de fazendas e cidades históricas.


Em Corumbá, a trilha começa próximo a um trecho composto por casebres, fazendas e sítios. Há duas opções de início: uma perto do Terminal Rodoviário, na qual se atravessa um pequeno trecho de mata (o percurso pode ser irregular para ciclistas ou pessoas montadas em cavalos); a outra começa perto da rodovia GO-225, na subida da Avenida São João.

A estudante de engenharia ambiental Maria Paula Braga, 21 anos, e amante da natureza está ansiosa para visitar a trilha. A brasiliense, que acompanha de perto projetos em reservas ecológicas no Distrito Federal e em Goiás, acredita que o Caminho de Cora será um marco para o turismo em Goiás. “Eu sentia falta de uma trilha longa nesta região. Algo que passasse uma sensação de realmente viajar e conhecer o lugar mais profundamente. O Caminho de Cora não será apenas um passeio ecológico, mas muito cultural também. A iniciativa vai render muito reconhecimento para o estado”, ressalta.

Beleza natural
O projeto foi inicialmente idealizado pelo corpo técnico da Secretaria de Planejamento de Goiás, mas não foi executado. Em 2018, a Goiás Turismo adaptou e tirou a ideia do papel. O presidente da instituição, Leandro Garcia, conta que o principal objetivo da trilha é fomentar o turismo voltado para as pessoas que buscam caminhos ricos em cultura e de longo curso, que podem ser feitos a pé durante a prática de esportes. Para ele, o diferencial da trilha é a beleza natural de Goiás e suas diversidades.

“O acolhimento do povo goiano também encantou as pessoas que já visitaram o local. Além de toda a beleza, são várias regiões que se destacam culturalmente. A fé presente no Caminho de Cora também chama a atenção. O trajeto começa em uma igreja e passa por outras em todas as cidades do percurso”, destaca Garcia.


De acordo com Garcia, o nome de Cora Coralina para o projeto foi escolhido “a partir do conceito de viagem, tanto exterior quanto interior”. “Queremos proporcionar um caminho de autoconhecimento e fé, repleto de poesias, rico em paisagem, gastronomia e cultura.” Ele acrescenta que Cora é uma grande representante da cultura goiana, conhecida internacionalmente.

Memória
Primeiro livro aos 75 anos

Cora Coralina, nome adotado por Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, nasceu na Cidade de Goiás, em 20 de agosto de 1889. A poetisa e contista ficou famosa por retratar nos escritos que produzia a simplicidade do cotidiano dela. Publicou o primeiro livro só aos 75 anos.

Desde então, teve nove obras editadas, sendo quatro delas póstumas, e chegou a receber dois prêmios: o literário Juca Pato e a Ordem do Mérito Cultural. A poetisa morreu em Goiânia, em 10 de abril de 1985, aos 95 anos, vítima de uma pneumonia.

Reportagem de Renata Nagashima no Correio Brasiliense
(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press )

Por Gessy Chaves
Jornalista
MT/GO 3243

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