A arte de refletir - Bispo Raimundo Aires


Princípios

Caros leitores, algumas histórias e fatos são verdadeiras pérolas esparsas, que vamos catalogando e guardando no recôndito das lembranças, e de vez em quando usamos uma ou outra.Elas embelezam a vida, enriquecem pessoas, e ensinam lições sobremodo valiosas.
 Passo então a compartilhar-lhes um fato que considero uma dessas pérolas.Trata-se de algo que li, há  muitos anos, numa revista Globo Rural, e de tão interessante que foi a leitura, guardei-a numa gaveta das lembranças, visto que a revista se encontrava na mesa de centro de uma casa onde fiz uma visita, e por um lapso de minha parte não pedi para tirar uma xerox.
Faço então a seguir uma tentativa de rebuscar nas entrelinhas da memória o máximo que puder ao recontar o que li -, o relato de um agricultor que cultivava maracujá. O mesmo, motivado e feliz por uma abundante e crescente produção, resolveu implementar algumas mudanças que deixassem sua plantação mais moderna e competitiva. Para tanto, começou por arrancar todos os troncos de madeira que davam suporte às ramificações de sua plantação, colocando em seu lugar pequenos postes de cimento, ficando na expectativa de um aumento extraordinário na próxima safra. Curiosamente, no entanto, houve uma significativa queda na produção, o que muito o intrigou.Técnicos agrícolas e agrônomos chamados para diagnosticar o problemas também se admiraram de tal fato, já que tudo estava dentro de um alto padrão de cultivo. Dentre aqueles que avaliavam o problema, alguém teve uma sábia percepção, que foi a de perguntar o que era usado no lugar dos atuais suportes de cimento, ao que respondeu o dono da lavoura ser troncos de madeira. Diante de tal resposta, o diagnóstico estava pronto:as mangangavas, abelhões que polinizavam as flores e moravam nos suportes de madeira agora substituídos, haviam desaparecido, e sem estas o prejuízo havia se estabelecido.
Que lição, queridos leitores! Embora mudanças façam parte da nossa vida, algumas coisas são como aqueles troncos de madeira, os quais representam valores e princípios que não podem ser removidos, a menos que estejamos prontos a pagar o preço de uma vida estéril.
 Finalmente, reafirmando que não temos aqui a intenção de apregoar um moralismo estático, entendo que o moderno é bom até ao ponto em que não mate as abelhas e nem faça morrer o simples.
 Desejando ter sido útil e agradecendo pela atenção, deixo-lhes votos de significativas realizações.

Bispo Raimundo Aires
Presidente da Igreja de Cristo de Goiás

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