Livro: Discussão sobre o imaginário relacionado ao medo da morte na Idade Média - De Dhiogo José Caetano‏

Dhiogo José Caetano‏
"A morte foi e sempre será o principal medo que assola a humanidade"
Este colunista, no livro "O medo da morte na Idade Média: Uma visão coletiva do ocidente", propõe uma discussão sobre o imaginário relacionado ao medo da morte na Idade Média. Ressalto que o homem pode conseguir refrear todos os sentidos e paixões do mundo material, no entanto, não poderá fugir da experiência de morrer, seja ele um homem religioso ou pagão. É o medo dessa experiência um dos focos principais do livro.
O livro traz uma investigação e análise de uma discussão bibliográfica sobre o tema morte em um recorte temporal de vários séculos. A obra se divide em dois capítulos, visando uma maior compreensão do tema proposto. No primeiro capítulo, trabalho a teoria e historiografia visando descrever como o medo de morrer se comportava dentro da historiografia. Podendo ser visto que a formação do medo coletivo traz várias consequências para o Ocidente e possibilita uma análise mais profunda com relação aos conceitos de cultura, civilização, memória coletiva e religiosidade de forma homogênea. 

O livro sob a ótica de Carlos Costa - jornalista e assistente social, Manaus 

"("Viver bem em prol de morrer") Independentemente de qualquer outro conceito filosófico, físico ou psicológico definido por outros autores, o tema "morte", foi muito bem abordado e definido pelo professor, escritor e jornalista goiano Dhiogo José Caetano, que se valeu de um cabedal de outras obras que tratam do assunto, para construir sua própria interpretação desse intrigante e instigante tema que nos causa medo e angustia também porque a morte se apresenta para muitas culturas como o abafamento, insegurança, falta de humor, ressentimento e dor, mas principalmente para a cultura brasileira que passou rapidamente pela colonização forçada dos índios, que tinham diversas crenças, pela cruz e pela espada, a morte para os verdadeiros donos do Brasil, representava somente uma passagem para uma vida melhor, para junto aos seus antepassados!
E, assim, deveria ter continuado a ser! Mas tudo mudou com a colonização e a morte também passou a ser temida como algo finito.
Na psicologia, angústia tem um sentido próprio, como também a morte. Na psiquiatria moderna, a angústia é uma doença e pode produzir problemas psicossomáticos. Pode ser também uma emoção que precede um acontecimento. Contudo, para o escritor e filósofo Arthur Shopenhauer, o mesmo tema é definido com um "viver para sofrer", porque o escritor tinha visão distorcida e diferente sobre a vida e era negativista, inclusive sobre a morte. O filósofo contemporâneo francês Jean Paul Sartre, criador da corrente existencialista "a angustia surge no exato momento em que o homem percebe sua condenação irrevogável à liberdade (...) não pode optar por escolher a não ser (...) essa condenação à liberdade lhe gera angústia por saber que ele não é o senhor de seu destino".
Em outro momento da história o pensador alemão Friedrichi Wilhelm Nietzche concluiu que dentre todos os povos da antiguidade, "os gregos foram os que apresentaram maior sensibilidade para compreender o sofrimento e a tragicidade da existência humana, como que permeada pela dor, solidão e morte (...) nessa concepção de vida os gregos também criaram uma sociedade baseada no princípio do equilíbrio: nada em demasia como forma de combater todos os nossos instintos e peixões".
Mas, o estudo do professor, escritor e jornalista Dhiogo Caetano garante que "a memória desempenha o papel de construção do medo da morte (...) transmitido pelo cristianismo e da sua injunção eucarística, que tem relação conceitual de divino e de pecado, ideias que predominaram no Ocidente (...) O autor da excelente obra "O medo da morte na Idade Média: Uma visão coletiva do Ocidente", no Capítulo 2. "As raízes do medo" conclui que a "razão mostra que o passado não se conserva por si próprio, mas se constrói e se organiza pelos indivíduos que pretendiam seguir seus reis, que muitas vezes se titulavam "guardiões" das lembranças ou das tradições ancestrais, um processo de fundamental importância à transmissão de informações e práticas (...)"
Independente de outras conclusões que a psicologia, a psicanálise, e psiquiatria e outros teóricos possam ter apresentado, o professor, historiador, jornalista e escritor Dhiogo, concluiu que “podemos notar que os fatores que desencadearam o medo de morrer na sociedade medieval vão além dos problemas econômicos, sociais e religiosos, envolvendo itens que partem da particularidade de cada homem medieval (...) uma sociedade que pratica o "bem viver em prol de morrer"." 

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Ainda permanece um mistério
 

A morte como fenômeno físico já foi evidentemente estudada, sendo um objeto de pesquisa de muitos pesquisadores, porém ainda permanece como um mistério. "Quando aventuramos no terreno do psiquismo, a morte nos auxilia na investigação da mentalidade humana, colocando em destaque o medo do homem de que um dia a vida chegará ao fim". (Delumeau,1989,pp.90-8)
Dentro da Nova História ampliaram-se os objetos de estudo, se fazendo possível analisar até mesmo termos subjetivos como o medo o qual envolve a História das Ideias, História das Mentalidades e História das Religiões.
Deixo claro que trabalhar essa questão (a da memória) é fundamental para a compreensão e análise do medo em um período que nos retrocede cronologicamente. A construção de uma memória coletiva do Ocidente Medieval é essencial para responder os inúmeros questionamentos levantados pelo próprio processo investigativo. Portanto essa é pretensão desse capítulo.

Obra se divide em dois capítulos, visando 
uma maior compreensão do tema proposto
Já o segundo capítulo trabalhei o medo de morrer e a concepção de religião e mentalidade na Idade Média. Foi analisada a visão coletiva do homem medieval diante do medo de morrer e o domínio abstrato dos símbolos, o qual revelava um mundo que se estende além do aqui e do agora, aflorando a concepção de uma decisiva consciência que vislumbra que o medo da morte não é somente considerado um aspecto que fascina, mas ao mesmo tempo aterroriza a humanidade, historicamente sucede de fontes de inspiração para doutrinas filosóficas e religiosas bem como uma inesgotável fonte de temores, angústia e ansiedade para os seres humanos.
Juntamente com a configuração da sociedade, não podemos deixar de lado o processo de configuração de uma mentalidade coletivamente religiosa, dotada de objetivos e métodos próprios. Estruturando como disciplina a etnologia conseguindo ganhar reforços poderosos de discussão positivista e evolucionista para a análise do sistema religioso.
O estudo dos comportamentos sociais na Idade Média mostra que as crenças e práticas beneficiaram a constituição de um novo campo do conhecimento, tornando-se uma disciplina autônoma, na medida em que categoria social e sociedade tornavam papel privilegiado do estudo, entre eles a religião que passava a merecer maior atenção, com um estudo mais objetivo e sistemático. O termo religião se estruturou num contexto de lentas e definitivas laicizações, conhecendo vários significados, de diversos autores, que promoveram o método comparativo entre sagrado e profano, sociologia e antropologia, abrindo caminhos importantes para uma proposta, mas adequados à abordagem historiográfica; conjugando o desenvolvimento e a vivência de crenças religiosas, um estudo rico e complexo, passando pela produção no campo da mentalidade, demonstrando ser um campo fértil para a contínua reflexão metodológica e historiográfica.
No entanto, o homem na Idade Média se encontrava submisso aos dogmas e práticas religiosas, que tornavam severos os sistemas em geral; ideia transferida graças à memória. Tais fatores deixavam o homem medieval conformado com a miséria vivida, com a peste que assolava, pois somente com a dor, a renúncia e a purificação da morte que o homem garantia a salvação e o paraíso. Tornando possível abordar a relação do homem com a morte em vários aspectos: o biológico, o jurídico, o econômico, o social etc. Na obra, "O homem diante da morte", de Philippe Áries (1990) podemos perceber o processo de domesticação da morte; ou seja, uma forma de viver com tal fenômeno como algo natural; nascido por ocasiões do trauma primitivo diante do fato inelutável da morte até a incorporação desta na vida humana.
Apresento uma investigação sobre o medo de morrer não deixando de destacar o controle sobre o corpo na Idade Média. O homem para ter uma boa morte deveria controlar e disciplinar os desejos do corpo.
Assim, ao analisar o medo da morte na Idade Média, deparamo-nos com regras e comportamentos que favoreciam para uma boa morte, ou seja, uma preparação para o pós-morte que requeria práticas diárias para eliminar os desejos da carne.
Em suma pude concluir que descrever o medo de morrer, afirmando que o tema é difuso e que envolve o mistério, o fascínio do além como algo desconhecido e temido ao longo dos séculos. Na Idade Média tal medo se expandiu com um grande temor que espreitava os indivíduos, o medo foi a ameaça; transbordando do imaginário do homem medieval, e penetrando na vida real e cotidiana, e isso ficou denotado e demonstrado na arte, na escrita, nas práticas e nos ritos de uma coletividade cristã ocidental, que se designava sitiada, desmobilizada diante do medo de morrer.

Por Gessy Chaves

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