Câmpus da UFG de Catalão e da Cidade de Goiás terão curso de Educação do Campo

Oferecer um curso de graduação específico para formar educadores para docência nos anos finais do ensino fundamental e médio nas escolas rurais goianas. Com essa proposta, o Câmpus Catalão (CAC) e o Câmpus Cidade de Goiás da Universidade Federal de Goiás (UFG) implantam a licenciatura em Educação do Campo em Ciências da Natureza (Procampo). Projeto realizado por meio de iniciativa do Ministério da Educação (MEC), que visa combater às desvantagens educacionais históricas sofridas pelas populações rurais e valorizar a diversidade nas políticas educacionais.
O curso já existe há mais de quatro anos no Brasil em universidades como a UFMG, UnB e UFSC. O público alvo são professores em atividade de docência em escolas rurais da região, em cidades que possuam até 50 mil habitantes. O Processo Seletivo ocorrerá juntamente com o Vestibular, entretanto, em apenas uma fase, prevista para novembro de 2013. As aulas têm previsão de início em janeiro ou fevereiro de 2014.
De acordo com a coordenadora do curso em Catalão, Elis Regina da Costa, as vagas de professores e técnico-administrativos dos cursos estão asseguradas e o concurso já está em andamento. Os Câmpus Catalão e Cidade de Goiás deverão oferecer estrutura física para alimentação, transporte e hospedagem para os alunos, uma vez que as aulas serão ministradas no regime de alternância e condensadas em períodos de 30 a 40 dias, durante o período chamado de “tempo universidade”. As atividades não ocorrerão necessariamente em períodos de férias escolares, a fim de que o estudante interaja com o ambiente universitário. Nos momentos em que não ocorrem os encontros presenciais, os estudantes terão o “tempo comunidade”, com orientações de trabalho nas comunidades rurais.
Segundo a coordenadora do Câmpus Cidade de Goiás, Maria Meire de Carvalho, o Projeto Político Pedagógico desse curso visa contribuir para que seus alunos tenham também acesso a conteúdos ligados à questão agrária, hortas comunitárias, proteção ambiental, gestão e organização de políticas públicas, dentre outros. “Esses futuros professores terão a oportunidade de se inserirem, desde o primeiro semestre do curso, em reflexões e análises dos equipamentos sociais, educacionais e da realidade de seu município, não só conhecendo a realidade do campo, mas também se tornando aptos a interferir nela”, explica ela.
Outro motivo para o adensamento é o fato de que a partir de 2017, ano de conclusão da primeira turma, haverá seis grupos em atividade, o que inviabiliza do ponto de vista técnico e logístico o curso ser realizado apenas nos períodos de recesso. Os participantes receberão ainda as apostilas e o material didático referentes aos conteúdos ministrados e poderão concorrer, havendo disponibilidade, a incentivo do Programa de Bolsas de Iniciação a Docência (PIBID-Diversidade).
Elis Regina da Costa avalia que a defasagem de ensino nas escolas públicas rurais é ainda maior do que a observada na cidade. De acordo com a coordenadora, pesquisas têm demonstrado que professores que saem dos centros urbanos sem o devido conhecimento da realidade da zona rural encontram dificuldades na transposição dos conteúdos para a população que vive no campo. Por esta razão, de acordo com a professora, o Procampo opta por qualificar docentes residentes ou que trabalhem em áreas rurais.
Na primeira turma, a intenção é abranger, em Catalão, a zona rural da região da estrada de ferro. Existe ainda a possibilidade de futuramente utilizar como Centro de Treinamento uma área em Caldas Novas, doada à universidade, que, no momento, passa por reforma e adequações. Já segundo Regina Sousa, no Câmpus Cidade de Goiás há um compromisso social com a região do Rio Vermelho e Vale do Araguaia. “A cidade de Goiás tem o maior número de assentamentos no Estado (24), região com grande quantitativo de trabalhadores camponeses, com escolas rurais sendo fechadas por falta de professores, com esvaziamento de jovens do meio rural, que se levantam nas madrugadas e vão para as cidades estudar, retornando tarde da noite. Assim, além de serem influenciados pelos conteúdos urbanos de suas escolas, também perdem o contato com a cultura do campo, por isso, após concluírem seus estudos, deixam o campo em busca de emprego nas cidades. E seus pais não vão ter para quem legar seus conhecimentos”, ressalta a professora.
O Câmpus Cidade de Goiás já teve outras experiências na área agrária. Já foi ofertado o curso de Direito Agrário para os trabalhadores do campo (Turma Evandro Lins e Silva) e agora está ofertando o primeiro curso de Pós-Graduação em Direitos Sociais do Campo - Residência Agrária, nível lato sensu, para os filhos dos trabalhadores concluintes de graduação de todo o Brasil, com o apoio da Capes.
Estrutura – O curso contará, inicialmente, com oferta de 120 vagas anuais para cada um dos câmpus, dividido em duas entradas de 60 alunos, ou seja, 240 vagas serão ofertadas pela UFG a cada ano. Para o início das aulas e manutenção das atividades, foi repassado ao MEC a planilha de custeio, que tem previsão de gastos no valor de R$ 480 mil para 2014. O próximo passo a ser percorrido pela coordenação e pelos professores e técnico-administrativos envolvidos no Procampo é manter contato com prefeituras, sindicatos rurais, movimentos sociais, assentados e outros segmentos da sociedade envolvidos com as questões do campo, a fim de divulgar e explicar as características da licenciatura em Educação do Campo.

Por: Juliana Chaves
Fonte: Prefeitura Municipal de Goiás

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