Quem se importa? - José Maria (Pezinho)

Projeto Raiz de Fogo do Sertão

Objetivo:
Aproveitamento das áreas pouco agricultáveis ou menos nobres como encostas, solos secos e/ou pedregosos da região do Vale do Araguaia e seus municípios no plantio de mandioca para obtenção de farinha para pão, álcool e células de hidrogênio de uso industrial, suprindo o mercado crescente em demanda por estes subprodutos e gerando emprego e renda na microrregião em questão.

Justificativa:
O álcool de cana, também conhecido como etanol, já faz parte do carro chefe da economia agrícola brasileira, inclusive no Estado de Goiás. Porém sua produção requer o uso de vastas extensões de terra fértil e muita água para irrigação que poderiam estar sendo mais bem aproveitados na produção de gêneros alimentícios de primeira necessidade e cada vez mais raros e caros no mercado interno e que elevam assim o preço da cesta básica, como é o caso do arroz, feijão, milho, dentre outros.

Vale lembrar que a irrigação em larga escala dos canaviais tem contribuído muito para o esgotamento dos recursos hídricos dos mananciais do Estado.

Na década de 30, devido à crise econômica da época, fazendeiros da cidade de Divinópolis, Minas Gerais, desenvolveram a experiência pioneira de destilação da mandioca gerando assim um tipo de álcool com combustão mais elevada e menos onerosa que o convencional da cana. Chegaram até a mover uma locomotiva por 100 km e um automóvel Ford 1928 sem necessitar de adaptação do motor que era a gasolina. Bombas do referido combustível chegaram a ser instaladas nos postos da cidade relatada. A falta de incentivo do governo paralisou o projeto e o relegou ao esquecimento.

Hoje o mundo está ávido por novas tecnologias verdes e auto-sustentáveis. Por isso, resgatar esta invenção de sucesso tem sido o objetivo de algumas regiões do país das quais Goiás não pode ficar de fora.

Vale lembrar que o trigo, que é a base das massas essenciais para a população, está ficando com sua futura produção comprometida num país tropical como o nosso, visto que sua origem é adequada ao clima mais ameno; o aquecimento global tem agravado esta situação. Enquanto que a mandioca, por seu baixo preço e grande resistência, já vem sendo adequada a produção de farinha no fabrico de pão, atitude esta que não é novidade, pois no século XVIII a Coroa Portuguesa já vislumbrava tal possibilidade no Brasil.

E para finalizar o processamento da mandioca nas destilarias dá origem a reações químicas que geram células de hidrogênio que são a base para o desenvolvimento de biopolímeros usados na purificação do níquel, metal cuja produção está se multiplicando nas diversas mineradoras do gênero em Goiás.

Desenvolvimento:
-A mandioca produz em qualquer época do ano e é resiste à estiagem e ao fogo, logo faz uso de pouca água em seu cultivo;
-Subprodutos: etanol (álcool), células de hidrogênio (para mineradoras e siderúrgicas), farinha (neste caso melhor empregada em substituição ao trigo), celulose (papel) e ração;
-A tonelada gira em torno dos U$70,00, porém calcula-se que a procura crescente por países como Venezuela, Colômbia e Nigéria poderá gerar um aumento no preço de 135% até 2020;
-Já existem máquinas de plantio e colhedeiras no mercado;
-A principal referência em etanol de mandioca no Brasil atualmente é o grupo Cereálcool, em São Pedro do Turvo – SP: são 40 toneladas por hectare;
-Um hectare de cana produz 85 toneladas, enquanto que um hectare de mandioca produz 45 toneladas (a metade), mas a diferença é logo compensada pelo gasto reduzido no cultivo do segundo em relação ao primeiro;
-Além de sua autocombustão elevada, o que lhe confere uma qualidade ímpar em relação aos outros combustíveis vegetais, o etanol de mandioca é tão pouco poluente quanto o etanol de cana além de ter um preço mais acessível que lhe aquece a procura no mercado;
-A cultura em questão deve ser mais incentivada pelo programa do Pró-Àlcool;
-Uma parceria entre os produtores e as empresas processadoras de níquel, localizadas em alguns municípios goianos, poderia ser firmada mediante o Ministério de Minas e Energia ou algum outro órgão similar, agilizando assim o fornecimento das células de hidrogênio supracitadas, originárias da mandioca, tão necessárias no beneficiamento do metal em questão.

Consideração final:
Sabe-se que o futuro do clima clama por medidas urgentes no uso de energias alternativas. Sabe-se que existe muito jogo de interesse entre diversos segmentos produtivos na sociedade brasileira. Mas acima de todas estas observações está a sobrevivência de um planeta que busca recuperar sua atmosfera de forma mais limpa e louvável. E também toda uma classe trabalhadora de baixa renda neste país espera por novas soluções que facilitem o acesso a itens tão básicos como a dignidade de alimentação de qualidade e a baixo custo.

Enfim, os primeiros moradores desta terra, os índios, nos deixaram este legado que é a mandioca, com toda sua rusticidade e praticidade para mostrar-nos um caminho fácil de ser trilhado, onde o que se exige são boa vontade e determinação.

Por José Maria (Pezinho)
Professor e Sociólogo

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