Economia Rural / Agronegócio - Finanças pessoais (controle / capacidade de endividamento etc.) Parte II


O tema Finanças Pessoais é muito extenso, daí a continuidade neste mês. Para se viver em paz, dormir com calma, para que as pessoas tenham uma vida financeira saudável, é preciso conhecer e acompanhar a conjuntura do mundo e do país. Indicadores econômicos, como taxa de juros, taxa de câmbio, taxa de crescimento do PIB e inflação, influenciam, e muito, a vida financeira das famílias. E justamente esses indicadores sofrem mudanças constantes. Por esta razão é tão importante acompanhar a macroeconomia. 
No Brasil não existe o ensino da educação financeira para a população. O longo período inflacionário até a implantação do Plano Real em 1994 deseducou a população em termos financeiros. Os mercados financeiro e de capitais não podiam se desenvolver no período inflacionário. As pessoas não poupavam e eram induzidas ao endividamento, pois fazer dívida era um bom negócio já que bens e serviços viviam em constante desvalorização. A regra era: se ganhar algum dinheiro, gaste-o logo, caso contrário vai perder o poder aquisitivo. É necessário ter “Educação Financeira” e estudar sempre como o dinheiro funciona para que, ao longo da vida, as pessoas tenham atingido a tão almejada independência financeira. 
É comum a discussão sobre o erro de se tratar endividamento como um mal em todos os sentidos, já que existe aquele destinado à aquisição de bens duráveis que movimenta a economia. Aqui se enquadram, por exemplo, a compra da casa própria, pois eu considero que o pagamento de aluguel para moradia é jogar dinheiro fora. Cada um pode comprar um imóvel residencial num valor que possa pagar. Nada contra, desde que isto não venha a comprometer toda a renda do comprador. Infelizmente vejo pessoas que vivem de aluguel, mas tem a vaidade de ter um carro com sistema sofisticado de som, e, muitas vezes, atrasam além das prestações do mesmo o licenciamento anual do veículo, não realizando as necessárias revisões!
Nos anos recentes não faltaram motivadores para que as pessoas se endividassem cada vez mais: a expansão da economia, que gerou mais recursos à disposição do consumo, maior oferta e modalidades de crédito, aumento salarial, “facilidades” de acesso ao crédito, apelos “inteligentes” ao consumo, agressividade dos agentes financeiros e muitos outros. 

Em 2010, a partir do entendimento, tanto nas organizações do sistema financeiro quanto das autoridades nacionais ligadas a ele, criou-se um grupo de trabalho, capitaneado pelo Banco Central do Brasil (Bacen), para formular proposta de educação financeira em todo o país. Como resultado, o grupo propôs um programa denominado Estratégia Nacional de Educação Financeira (Enef) que, além de aceito, foi adotado pelo Governo Federal como um programa de Estado de caráter permanente. Seu alvo principal é a educação básica. O Enef já foi implementado, experimentalmente, em algumas escolas públicas e particulares nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo e no Distrito Federal. 
Também tem se verificado uma crescente oferta de treinamentos em Finanças Pessoais e Empresariais por parte de profissionais do mercado financeiro, consultores financeiros, escolas de nível superior, entidades e associações de classe e também de outras organizações do terceiro setor. Os eventos são oferecidos a pessoas físicas e jurídicas, e estão mais voltados para os aspectos de poupança e do investimento, segundo o interesse dos participantes e o que está disponível no mercado.



Colaboração enviada pelo Economista Sr. EUGÊNIO L. JARDIM (CoREcon - DF),
que também é produtor rural em Goiás – GO  (sócio AGCZ / ABCZ / AGT)

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