17/05 - 15:00h - Sócio teria matado Boadyr, diz a polícia

O jornal opção da capital do estado trouxe no início do mês de maio como matéria principal o Ex-Prefeito da Cidade de Goiás Boadyr Veloso do Carmo.
A matéria diz que a polícia já sabe quem é o sócio que assumiu a banca de jogo de bicho do ex-prefeito assassinado. Ele é suspeito de ser um dos mandantes do crime. E diz também que a polícia está prestes a esclarecer a mor­te do médico. Já existem dois suspeitos de serem os mandantes do crime, que aconteceu no dia 28 de maio de 2008. O ex-prefeito, de 71 anos, foi assassinado a tiros ao sair de uma casa de jogos clandestinos no Centro de Goiânia por volta das 11 horas da noite. Ele foi executado por dois homens que estavam em uma moto à espera dele. Os pistoleiros ainda não foram encontrados.
Nos seguimentos da matéria e segundo o texto de Andreia Bahia repórter do jornal, diz que a polícia não tem dú­vidas de que a morte de Boa­dyr Veloso, médico patologista e funcionário aposentado do Banco do Brasil, esteja relacionada com a exploração do jogo do bicho e de caça-níqueis em Goiânia. Ainda não consta no inquérito, mas a polícia investiga denúncias anônimas que dão conta que Boadyr Veloso teria vendido o direito de exploração de jogos no Entorno do Distrito Fe­deral a outro grupo que atua no ramo. Há informações que o negócio teria custado cerca de R$ 350 mi­lhõ­es. A polícia acredita que Bo­a­dyr tenha contrariado interesses de gente importante que explora o jogo em Goiás. Por isso, morreu.
Mas a hipótese inicial a ser investigada pela polícia não foi essa. O delegado Carlos Raimundo Lucas Batista, que primeiro investigou o caso, suspeitou de crime político. Boadyr era pré-candidato a prefeito da cidade de Goiás e, segundo o delegado que hoje preside o inquérito, Alexandre Bruno Barros, só depois de ouvir 15 pessoas o delegado Carlos Raimundo descartou essa linha de investigação. “Boadyr era um político moderado e não tinha inimigos declarados”, explica Alexandre. O inquérito passou pelas mãos de ou­tros três delegados, Jorge Moreira, Adriana Ribeiro e Ernane Oliveira Cazer, que comandou o inquérito até abril de 2011. Depois dessa data a investigação paralisou e só há três semanas o delegado Alexan­dre reiniciou os trabalhos.
Consta no inquérito que a família não sabia do envolvimento de Boadyr Veloso com jogo do bicho e que, depois da morte dele, decidiu fechar a casa de jogos que funcionava em Goiânia. O filho Eládio Neto, que é policial em To­cantins, testemunhou que esteve em Goiânia, pagou os funcionários e fechou a ban­ca, que era conhecida como Mega e funcionava em uma viela da Rua 7, no Centro da cidade. Dias depois, a banca voltou a funcionar, o que levou delegado Ernane Cazer a desconfiar da existência de um sócio de Boadyr. A polícia já sabe quem é esse sócio que assumiu a banca e ele é suspeito de ser um dos mandantes do crime. O outro suspeito também tem envolvimento com jogo ilegal.

Boadyr Veloso tinha ex-mulher (com quem teve filhos), uma esposa e uma namorada. Todas foram ouvidas, assim como os genros. Segundo Alexandre Barros, a família negou qualquer co­nhecimento da atividade ilícita do ex-prefeito.
Apenas a namorada — que Alexandre Barros não identifica para preservá-la — ajudou nas investigações ao dizer que Boadyr temia “morrer ou ter que matar” por causa do jogo. O genro Edivaldo Cardoso, considerado pela polícia braço direito de Boadyr nas questões financeiras, também não ajudou nas investigações, relatou Ale­xandre Barros.

Escutas telefônicas dizem que morte de Boadyr foi acerto de contas envolvendo jogo do bicho e caça-níqueis

De acordo com a matéria publicada pelo jornal, com o registro das ligações celulares da vítima que constam nos autos, Edivaldo Cardoso conversou com o ex-prefeito dez minutos antes de ele ser morto. Edivaldo não foi último a falar com a vítima. No momento em que levou os três tiros, Boadyr Veloso conversava com um assessor de nome Tim e conhecido como “Macaco”, que estava na cidade de Goiás. Eles falavam sobre as pesquisas de intenção de votos para prefeito, contou Tim à polícia.
Edivaldo Cardoso pediu exoneração do cargo de presidente do Detran de Goiás em abril, depois da divulgação de ligações interceptadas pela Polícia Federal dentro da Operação Monte Carlo. Nelas, Edivaldo Cardoso conversa com Carlinhos Cachoeira, preso em Brasília suspeito de diversos crimes. O delegado Alexandre Barros pretende usar as interceptações da Polícia Federal para esclarecer a morte do ex-prefeito. “Como as interceptações vinham sendo feitas há muito tempo é provável que haja trechos que envolvam Boadyr Veloso.” O médico era sócio de Carlos Cachoeira.
Para não comprometer a construção das provas, o inquérito é sigiloso. Mas a polícia já tem nome de quem mandou matar Boadyr Veloso e sabe também a motivação: “Acerto de contas envolvendo jogo do bicho e caça-níqueis”, afirma Ale­xandre Barros. Depois da morte de Boadyr, mais dois bicheiros teriam sido assassinados, possivelmente como queima de arquivo.

“Até para pescar eu sou contraventor’’

Segundo o jornal, Boadyr Veloso era uma pessoa de interesses escusos e o jogo do bicho era apenas uma das ilegalidades que cometeu ao longo da vida. O médico chegou a ser condenado a dez anos e oito meses por estupro e a dois anos e seis meses pelo crime de induzimento à prostituição, totalizando 13 anos e 2 meses de reclusão em regime fechado. Ele foi flagrado em um motel com sete adolescentes menores de 14 anos, a quem oferecia dinheiro em troca de favores sexuais.
O Tribunal de Justiça de Goiás extinguiu a pena em 2004 porque as sete vítimas retiraram as queixas depois que Boadyr Veloso apresentou sete certidões de casamento de suas vítimas. Seis das sete meninas casaram-se no mesmo mês, outubro de 2001: três no dia 5 e três no dia 17. Boadyr se beneficiou da lei, que no inciso VIII, artigo 107 do Código Penal, determina a extinção da pena se a vítima de estupro se casar com terceiros e não reivindicar, num prazo de 60 dias, a continuidade do processo.
Na época, o ex-prefeito declarou para a revista “Época” que estava “apenas” discutindo política com as meninas no motel. “Agora, é melhor não falar mais nisso. As meninas tão casadas, com a vida arrumada.” Uma frase de Boadyr Veloso reflete bem seu comportamento: “'Até para pescar eu sou contraventor. Só pesco de tarrafa.”'
Boadyr Veloso era visto como um “coronel” pela população da cidade de Goiás. Na época em que era prefeito, o então vereador Rodrigo Santana o acusou de usar a cidade para lavar o dinheiro do jogo do bicho. Santana teria sido ameaçado de morte por causa disso.

Por Gessy Chaves
Fonte: Jornal Opção - Andréia Bahia

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