14/05 - 13:04h - Delegado “brinca” com repórter durante reconstituição de crime em Doverlândia e acaba prevendo desastre com helicóptero

Durante a segunda parte da reconstituição da chacina em que sete pessoas foram degoladas em uma fazenda de Doverlândia, a reportagem de O HOJE, presente no local, foi convidada para fazer uma viagem para vista aérea no local da chacina. Antes de decolar, o piloto e delegado Osvalmir Carrasco teria afirmado à repórter Cejane Pupulin ao delegado Ronaldo Pinto Leite, do Grupo de Repressão a Narcóticos (Genarc), que havia um vazamento na aeronave. Repórter e delegado não sabem dizer se era brincadeira. No entanto, o delegado e superintendente da Polícia Judiciária (SPJ), Antônio Gonçalves, brincou com a mesma repórter: “Hoje vai fazer uma segunda matéria, porque esse helicóptero vai cair. Essa vai ser a manchete”. E sorriu.

Antônio, de brincadeira, previa o maior acidente aéreo da história de Goiás. Apenas dez dias depois de registrar a pior chacina já ocorrida no Estado. Por volta das 15h40, enquanto voltavam da segunda etapa da reconstituição das sete mortes ocorridas em Doverlândia no último dia 28 de abril, oito pessoas são vítimas da queda do helicóptero da Polícia Civil (PC). A bordo estavam cinco delegados, dois peritos criminais e o assassino confesso da chacina. Nenhuma morte é confirmada, mas as esperanças de que algum deles tenha sobrevivido é quase nula.

A aeronave caiu na Fazenda Rancho Alegre, a 30 km do município de Piranhas, pouco depois de decolar de Doverlândia, trazendo a Goiânia o assassino e a equipe que realizou a reconstituição do crime. A Secretaria de Segurança Pública (SSP) divulgou os nomes dos oito tripulantes. São eles: delegado Antônio Gonçalves Pereira dos Santos, superintendente da Polícia Judiciária; delegado Bruno Rosa Carneiro, chefe-adjunto do Grupo Aeropolicial; delegado Osvalmir Carrasco Melati Júnior, chefe do Grupo Aeropolicial; delegado Jorge Moreira da Silva, titular da Delegacia Estadual de Repressão a Roubos de Cargas; delegado Vinícius Batista da Silva, titular da delegacia de Iporá; perito criminal Marcel de Paula Oliveira, lotado em Quirinópolis; perito criminal Fabiano de Paula Silva, lotado em Iporá; e o acusado Aparecido de Souza Alves. Os peritos Marcel e Fabiano são primos.

A aeronave, um helicóptero do modelo AW 119 MKII-Koala, de propriedade da Polícia Civil, foi adquirido pelo Estado no ano de 2010 pelo valor de R$ 7 milhões e só começou a operar no ano passado. De acordo com a PC, ele era pilotado por homens – Osvalmir Carrasco e Bruno Carneiro – “treinados e experimentados”, e teria passado por uma revisão na segunda-feira, um dia antes deste último voo. O helicóptero teria seguro total, que cobria aeronave e tripulantes, e não possuía mais do que 400 horas de voo.

Testemunhas
Primeiras informações, prestadas por testemunhas locais, dão conta dos estragos provocados pela queda. De acordo com o titular da delegacia de Piranhas, Diogo Rincon, após a explosão “não sobrou nada do helicóptero”. “Alguns peões da fazenda viram quando a aeronave começou a rodopiar e cair, causando a explosão”, afirma. Ele diz que foi possível identificar apenas três corpos, sendo que um estava decapitado e os outros totalmente carbonizados.

Desde o fim da tarde de ontem, equipes se mobilizam pelas buscas e pela realização da perícia no local do acidente. Por volta das 17 horas, homens do Corpo de Bombeiros de Goiânia embarcaram para realizar o isolamento da área e iniciar as buscas pelos corpos. A operação de resgate, iniciada ontem, está sendo chefiada pelo comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar, Carlos Helbingen Júnior, que está no local desde o final da tarde de ontem. Para esta manhã, é esperada a chegada do secretário de Segurança Pública e Justiça (SSPJ), João Furtado de Mendonça Neto. Outros municípios também auxiliarão, como é o caso dos bombeiros de Rio Verde, que irão montar um centro de comandos para funcionar como base para as equipes que trabalham na fazenda. Homens já se encaminham ao local levando geradores de energia.

Fazendeiros usaram água de córrego em auxílio
GleiderMoraes, 28, é comerciante em Piranhas e filho do dono da fazenda Rancho Alegre. Estava na porta do imóvel quando ouviu um barulho estranho, olhou para o céu e afirma ter visto peças se soltarem do helicóptero da Polícia Civil. Ele correu na direção do acidente e a aeronave caiu em queda livre, reta, segundo Gleider. A partir daí, ouviu barulhos parecidos com“pipocar de tiros”.

Versão parecida é contada por Edmar Vilela, 48, proprietário da Fazenda do Boi, vizinha ao local do acidente. Ele vacinava seu gado quando ouviu o barulho, viu o helicóptero fazendo piruetas e sumindo. Edmar e Gleider estiveram no local logo após a queda do helicóptero. Viram a aeronave carbonizada em seu interior, muitas roupas e corpos destroçados. Foram ao córrego Bocaína, a poucos metros do local do acidente, e pegaram água para tentar apagar o fogo ocasionado pela queda da aeronave. As buscas pelos corpos, pelo Corpo de Bombeiros, continuaram por toda a madrugada.

(Os repórteres Cejane Pupulin e Benedito Braga foram enviados a Doverlândia)


Por:JulianaChaves
Fonte: OHoje

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