10/03 - 09:20h - Coluna pensando bem... A revolução das pequenas coisas

“O município de Alto Alegre do Pindaré, no sul do Maranhão, tem 24 mil habitantes (a população aproximada da Cidade de Goiás), espalhados em diversas comunidades. As casas são de taipa, cobertas com ramos de babaçu – boa parte dos homens e das mulheres não sabe ler nem escrever. Ali, inventou-se um novo tipo de biblioteca: a bibliojegue.

Abarrotados de livros, um jegue percorre os povoados e para debaixo de uma árvore frondosa. As crianças e os adolescentes se aproximam, sentam em roda, pegam um livro e ouvem um contador de histórias.

[...] Responsável pelo projeto, Alda Beraldo, professora de português, conta que uma das maiores emoções de sua vida foi ver mulheres analfabetas com os olhos cheios de lágrimas ao ouvirem, pela primeira vez, uma poesia. ”

Diante das grandes distâncias a serem percorridas pelos alunos vilaboense de assentamentos uma iniciativa como essa poderia ser adaptada a nossa realidade, talvez na forma de uma caminhonete, adequada às dificuldades das estradas, que levasse professores orientadores e lap tops a cada semana, quinzena ou mês no auxílio de realização de tarefas e pesquisas, como aulas de reforço, no melhor estilo EAD (Educação à Distância).

“[...] A bibliojegue faz parte de uma tendência ainda pouco percebida e valorizada no Brasil, mas que integra a revolução das pequenas coisas. É a constelação de engenhosas soluções que, isoladamente, têm baixo impacto, mas juntas seriam capazes de mexer nos indicadores nacionais de educação, saúde, emprego e preservação do ambiente.

A revolução das pequenas coisas engloba um bairro deteriorado no centro do Recife transformado em porto digital, onde se criaram 108 empresas que produzem software; a cidade de Santa Rita do Sapucaí, em Minas, que, a partir de uma escola de ensino médio de eletrônica, montou uma cadeia produtiva em torno das telecomunicações (lá se criou, por exemplo, a urna eleitoral eletrônica) [...]. A Universidade Federal de Santa Catarina orientou pescadores, em Florianópolis, a ganhar dinheiro cultivando ostras. A Universidade de Campinas ensina prefeituras a movimentar seus veículos com o óleo descartado nos restaurantes da cidade.”

Quem não garante que a experiência de Santa Rita do Sapucaí não possa se repetir no município de Goiás, visto que estamos começando a implantar cursos técnicos na área de informática, através do Instituto Federal de Goiás (IFG)? O Vale do Araguaia, por que não pode vir a se tornar o ‘Vale do Silício goiano’, berçário de novas idéias de software, como já aconteceu com o sul de Minas?

Talvez uma resposta para essas perguntas seria a falta de interesse das famílias que comandam a política local, que não desejam que nós vilaboenses de coração tenhamos oportunidade de aprender a pensar, questionar, conhecer. A própria Bíblia Sagrada afirma que o povo perece porque lhe falta conhecimento. Se isso acontece a ignorância de continuar mantendo-os no poder acaba e novos líderes do/e para o ‘povão’ se levantam com capacidade para fazer a diferença. Diferença esta que pode acabar com os desmandos locais apresentando ao povo um governo que emprega o dinheiro vindo de fora com honestidade e competência para o bem da maioria necessitada.

“[...] Em Belo Horizonte, alunos de escolas municipais são apoiados, em atividades extracurriculares, pelas várias universidades – lá, aliás, monta-se uma articulação que vem permitindo aos estudantes mais pobres dividir seu tempo entre a escola e alguma entidade, garantindo educação em tempo integral.

[...] Em Nova Iguaçu, no Rio, para evitar que jovens fiquem na rua, expostos à violência, lançaram-se torneios de basquete e futebol de madrugada durante os finais de semana. Em Diadema, a violência caiu abruptamente porque a prefeitura comandou uma ação na cidade, envolvendo os diversos níveis de poder. ”

O perímetro urbano de Goiás possui oito quadras de basquete, vôlei e futsal (sendo duas particulares), estrategicamente distribuídas no centro (Jubé e Santana), próximo ao cemitério do outro lado rio (Carecão), no Areião (Aplicação), na AABB, no Aeroporto (Ceconj e Praça) e no começo do João Francisco (Perillo). Que para vergonha de todos só são usadas para jogar futebol, como se esse fosse o único esporte que existe.

“O que se está inventando, em resumo, é tecnologia social.

É essa tecnologia social que se vê nas 33 escolas com bom desempenho, em lugares de extrema carência, beneficiadas pela inventividade local. Numa delas criou-se a “sacola literária” – os alunos levam livros numa sacola para casa nos finais de semana. São convidados, então, a contar a seus colegas o que leram. Em outras, o professor vai à casa da família cujo filho está faltando às aulas. Na José Negri, em Sertãozinho (interior de SP), aprende-se fração comendo bolo.”

Pra tudo que é lado projetos sociais funcionam, sejam com dinheiro público ou privado, porque aqui quase nada vai pra frente? Que todos examinem suas consciências e respondam com sinceridade e decidam tomar uma atitude que vise o bem comum.

(Adaptado do texto de Gilberto Dimenstein)

Por José Maria Santos (Pezinho)
Sociólogo e Professor

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