18/02 - Coluna Pensando bem - Os 'ratos' e os 'queijos'

“Antigamente, lá em Minas Gerais, a política era coisa séria. Havia dois partidos com nome registrado, programa de governo e tudo mais. Mas não era isso que entusiasmava os eleitores. Eles não sabiam direito o nome do seu partido nem se interessavam pelo programa de governo. O que fazia o sangue ferver era o nome do bicho e correlatos pelo qual seu partido era conhecido.

Em Lavras, os partidos eram os ‘Gaviões’ e as ‘Rolinhas’. Em Dores da Boa Esperança, onde nasci, eram os ‘Ratos’ e os ‘Queijos’. Os nomes diziam tudo. Ratos querem mesmo é comer o queijo. E o queijo quer mesmo é se colocar de isca na ratoeira para pegar o rato.

[...] Como já disse, os eleitores nada sabiam dos programas de governo nem prestavam atenção nas promessas que eram feitas pelos chefões. Sua relação com seus partidos não era ideológica. Nada tinha a ver com a inteligência. Eles já sabiam que política não se faz com razão. Ganha não é quem tem razão. Ganha quem provoca mais paixão. O entusiasmo que tomava conta deles era igualzinho ao entusiasmo que toma conta do torcedor no campo. [...] Naqueles tempos o entusiasmo não vinha nem da ideologia nem do caráter dos coronéis. O que fazia o sangue ferver era o símbolo: ‘Eu sou Rato’, ‘Eu sou Queijo’.

Corria o boato de que coronel Sigismundo, fazendeiro, chefe dos ‘Ratos’, usava jagunços para matar seus desafetos. Não surtia efeito. Era mentira deslavada dos ‘Queijos’. Corria o boato de que o doutor Alberto, médico rico, chefe dos ‘Queijos’, praticava a agiotagem. Mentira deslavada dos ‘Ratos’. Os chefões, na cabeça dos eleitores, eram semideuses, padrinhos, sempre inocentes. O que dava o entusiasmo era o campeonato. Quem ganharia? Os ‘Ratos’ ou os ‘Queijos’? Quem ganhasse a eleição seria o campeão, dono do poder, nomeações dos afilhados, até a próxima...

Mais de oitenta anos se passaram. Os nomes são outros. Mas nada mudou. Política é a mesma paixão pelo futebol decidindo o destino do país. Os torcedores se preparam para a finalíssima entre os ‘Ratos’ e os ‘Queijos’. É como era na cidadezinha de Dores da Boa Esperança, onde nasci 73 anos atrás...”

(Rubem Alves. “Os ‘ratos’ e os ‘queijos’...”)

Encantadora história, real ou não sabemos que um dia fomos ignorantes, desanimados, frustrados, afirmando que as coisas sempre serão assim, que política é coisa pra quem se deixa dominar, se vender. Não acredite mais nisso, as coisas podem mudar sim, assim como as pessoas.

Injusto seria não tentarmos fazer nada quando os maiores prejudicados com a desonestidade dos políticos somos nós. Se pagamos nossos impostos é justo alguém morrer por falta de atendimento médico? É justo pagar pelo laudo de um exame que o SUS é obrigado a oferecer? É justo esperar quinze dias pelo resultado de uma ultrasonografia se o médico o faz enquanto fala conosco ainda sobre a maca?

Não, não é justo. E o maior culpado disso tudo somos nós que não denunciamos aos órgãos competentes, nos calamos e ainda nos vendemos e votamos em candidatos covardes com a população pela segunda vez. Nossa luta não é político partidário, mas por justiça em busca dos nossos direitos. É algo que é nosso, de mais ninguém. Temos o dever de no mínimo fazer barulho, e que morda quem é pago para isso (os fiscais do governo).

Por José Maria dos Santos (Pezinho)
Professor e Sociólogo

Um comentário:

João Cirino Gomes disse...

O Brasil tem 513 anos de injustiças, patifarias e corrupções, e isso só vai acabar, se a população se unir e juntos, arrancarmos as "parasitas", plantas malignas e espinhosas dos vasos internos; pondo um fim na lei de imunidade e na lei de foru privilegiado!

O resto gente, sinto, lamento e choro, mas não passam de projetos fantasiosos, ou seja, danças dos ratos espertalhões, para continuar ludibriando e enganando a população escravizada e desinformada.
Enquanto a mídia sensacionalista e vendida não divulgar estes absurdos; as corrupções persistirão; e as cadeias continuarão superlotadas, mas só de pobres, sem poder aquisitivo, sem eira nem beira! E isso não é justiça.
Ao invés de buscar privilégios de classes, vamos nos unir e lutar por justiça social, pois devido a estes desentendimentos, o Brasil esta parecendo a Torre de Babel, ninguém se entende!

E as marchas da pouca vergonha, dos denominados ninjas e das vadias, nos faz recordar Sodoma e Gomorra.
Os políticos canalhas estão pagando este pessoal para melar as passeatas, pois sabem que um pai de família não quer ver sua esposa e filhos junto a este bando de desavergonhados.
Abaixo assinado pelo fim da imunidade:>http://www.peticaopublica.com.br/?pi=Janciron
ESTE É O PRIMEIRO PASSO PARA TERMOS UM PAÍS DEMOCRÁTICO, COM DIREITOS IGUAIS E JUSTIÇA SOCIAL!
Os que negarem estes fatos, ou são corruptos, ou estão a serviço dos corruptos.
Em uma democracia deve prevalecer à vontade e direito da maioria; ninguém é obrigado ser político, seja quem quiser.
Mas se roubar, desviar, ou superfaturar, deve ser julgado por um júri popular!
E se condenado, deve ser punido e devolver o valor surrupiado; isso sim é justiça; ou então, vamos continuar sendo roubados pelos canalhas, e continuaremos vendo juízes corruptos vendendo sentenças, e superlotando os presídios de pobres, sem poder aquisitivo, sem eira nem beira! Isso lhes trás Lucro, pois os desavergonhados estão tirando vantagens destas suas vítimas miseráveis; superfaturando nas construções de presídios, e nas estadias dos presos!

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