14/02 - Coluna Econômica - A importância da contabilidade rural

Muitas vezes me perguntam por que anoto todas as despesas relativas à minha propri-edade rural. Sempre expliquei que tal atitude é porque faço balanços mensais e anuais, sendo que o resultado final é que me permite avaliar o resultado financeiro. Ou seja, o total das despesas jamais pode superar o da receita. Em princípio, entendo que o exercício da atividade rural exige a busca por uma propriedade auto-suficiente, mediante rígidos critérios. Do momento que me considero idealista como criador e selecio-nador da Raça Bovina Tabapuã, onde só tenho o Puro de Origem desde 1972, uma análise de custos é indispensável.

No entanto, podemos considerar que há no mínimo quatro tipos de proprietários rurais: a) aqueles que buscam apenas o lazer, portanto não se preocupam com equilíbrio monetário; b) aqueles que se contentam apenas com o equilíbrio receita / despesa, pois tem outra fonte de renda; c) os que buscam apenas o lucro, portanto não se apegam a nada, nem em qualificação; d) e os idealistas, que tem orgulho em melhorar sempre aquilo que desenvolvem, não medindo esforços na realização de seus sonhos, jamais desistindo diante das dificuldades, sendo persistentes com ações e métodos contínuos, constantes e crescentes.

Na pecuária algumas definições devem ser lembradas. Podemos chamar de fazendeiro qualquer proprietário rural. Criador é aquele que tem animais para reprodução sem qualquer critério qualitativo. Fazendeiro de gado que é aquele comprador de produtos que os criam, não tendo uma linhagem própria, muitas vezes visa apenas a revenda. Criador e selecionador é aquele que permanentemente seleciona seu gado, usando touros geneticamente provados para qualificar a produção, que cuida do melhor aproveitamento de suas pastagens com uma ótima taxa de desfrute, que busca mais rustici-dade, mais produção, mais precocidade, mais docilidade, homogeneidade, padronização racial, enfim, para vir a ter um resul-tado mais econômico. Enfim, o Criador e Selecionador aplica conhecimentos de zootecnia e tem assistência veterinária e técnica de entidades credenciadas principal-mente se o seu rebanho for regis-trado. Creio que nesta última classe se encaixam os idealistas.

Quem se dedica à atividade rural no Brasil vive, neces-sariamente, sob a égide de três pilares fundamentais: questões ambientais, fundiárias e contábeis. Vou me ater a ressaltar a impor-tância desta última, já que abordei anteriormente algumas definições e conceitos. O produtor rural moder-no, seja ele pequeno ou grande, deve ter uma nova visão do seu negócio e tomar a postura de empre-sário para se manter no mercado competitivo, promissor, mas de mudanças bruscas e freqüentes. Por isto, deve ter instrumentos de gerenciamento para o seu negócio. Para a adoção de novas atitudes é visível que se necessita de diversas informações que devem ser seguras, confiáveis e consistentes. Portanto, a contabilidade bem feita, seguida de uma análise de custos, é de fundamental importância para o produtor rural como instrumento de gestão e de controle, observados os objetivos a serem atingidos.


Por Eugênio L. Jardim (CoREcon-DF)
Economista que também é produtor
rural em Goiás – GO

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