07/01 - 18:00h - Pensando bem... O povo tem o governo que merece?

Desde criança aprendemos que precisamos seguir regras para viver organizadamente em sociedade. No entanto, nos últimos tempos, as regras parecem ter-se tornado exceções e vice-versa. E o mau exemplo vem de quem deveria dar o bom exemplo.

A corrupção que sempre existiu nas estruturas governamentais expôs-se à luz desde o governo Collor. Ela está à nossa vista, e isto gera uma situação de libertinagem social que a psicanalista brasileira Maria Rita Kehl muito bem descreveu em seu artigo “A elite somos nós”, publicado no jornal Folha de S. Paulo de 15 de janeiro de 2005.

Disse ela que estava andando em uma calçada de Copacabana, no Rio de Janeiro, quando notou dois rapazes da periferia engraxando os sapatos de um turista. Ao terminar o serviço, taxaram o preço em 50 reais. O turista achou muito e deu uma nota de 10 reais. O engraxate olhou bem para o freguês e arrancou de sua carteira uma nota de 50 reais. Assustado, o estrangeiro resolveu “cair fora”.

Maria Rita, que observava tudo, não conseguiu deixar de protestar: “Cara, você vai cobrar 50 reais para engraxar os sapatos do gringo?”.

O engraxate simplesmente disse: “Se eu quiser, cobro cem, cobro mil, e a senhora não se meta com a gente”.

E o outro remendou:

“Vai buscar seu mensalão, madame, que este aqui é o nosso”.

Com base nessa experiência, ela concluiu:

“Não é difícil compreender que a bandidagem escancarada entre representantes dos interesses públicos (os políticos) autoriza definitivamente a delinquência do resto da sociedade. O termo mensalão já se tornou sinônimo de patifaria generalizada: [...] estamos todos à deriva. É a lei do salve-se quem puder [...].”

E, assim, o exemplo que “vem de cima” mostra ao povo que o melhor é “se dar bem”, ou, como dizia o comercial antigo de cigarros que deu origem à famosa Lei de Gerson, “é preciso levar vantagem em tudo, certo?”. Isso autoriza os indivíduos a fazer o que quiserem: “Se os poderosos fazem, por que eu não posso fazer também?”.

Baseado nisto tudo que foi aqui citado vem a pergunta: “O povo tem o governo que merece? Ou falta realmente a nós bons exemplos? Ou ainda, se sabemos qual é o certo não importa o que os outros façam, tenho que ser honesto?”

Em cada cabeça uma sentença.

Por José Maria dos Santos Souza
(Professor Pezinho)

Um comentário:

Cristiano Vieira disse...

Um texto a ser analisado e repensado. Parabéns!

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