04/02 - A arte de refletir - O triunfo da ilusão

Vivemos a era pós – moderna, e como que numa grande platéia, assistimos ao jogo do ter contra o ser

Quase emudecidos, aqueles que acreditam e defendem o ser como sendo o bastante, se percebem remando contra a maré, diante do avanço do efêmero que parece estar ganhando a partida, sendo a ilusão a bola da vez.
Quem se importa com a essência das coisas, com a verdade das pessoas, se “mais vale parecer do que ser”? É como diz o apóstolo Paulo: “Porém as pessoas más e fingidas irão de mal a pior, enganando e sendo enganadas’’ (Timóteo 3:13). É justo que se diga que nem todos os que fingem são pessoas más. Muitos são vítimas da impiedosa e massificante mídia, e alguns o são até mesmo por carência de valorização.
A crise de valores, o culto do individualismo, a busca desenfreada do sensacionalismo, a publicidade com seus artifícios inconsequentes, e principalmente a ausência de Deus, são as principais causas de uma era maquiada.

O falso, o vazio, a ilusão, andam desfilando em carros de última geração. Desde que pensem que somos, não importa se não somos, é o espírito que opera neste século. O espaço que deveria ser do criador está ocupado com a criatura. Um narcisismo pecaminoso erigiu o seu altar para o culto do ego, no meio desta geração que busca um espelho mágico que lhe seja favorável, mostrando a imagem cobrada pela sociedade com seus padrões tiranos e discrinimadores.
Por toda a terra habitada pelos humanos, campeia a ilusão, buscando instalar a aparência no lugar do verdadeiro. Ela parece triunfar em todos os seguimentos da sociedade: na política, na moda, nas artes, no esporte, e até na religião.

Já não basta “pão e circo” para o mundo em que vivemos; necessita-se também de aplausos, não para Nero que os inventou, mas para nós mesmos.
A ditadura da beleza dividiu em duas classes a sociedade. Quem não está nos padrões do belo que se exige, estará no obscuro da discriminação, e até mesmo conseguir um trabalho será um desafio doloroso e injusto. Na falta de valorização da essência das pessoas, fica valendo o botox, o silicone, as aparências.

Estamos como que proibidos de sermos nós mesmos. Há uma pressão desumana sobre as pessoas, para que estas pareçam mais novas, mais ricas, mais poderosas. Nunca foi tão verdadeira a expressão: “Me engana que eu gosto”.
Mas há esperanças para todos os males que sufocam as pessoas. Numa perfeita compreensão do vazio e pecaminosidade que oprimem o mundo, Jesus disse: “Os sãos não necessitam de médico, e sim os doentes.”
A falta de paz interior tem levado muitos a uma busca desesperada por algo que lhes preencha as lacunas da alma. É aí que novamente se apresenta Jesus de Nazaré, dizendo: ‘‘Deixo com vocês a paz. É a minha paz que eu lhes dou; não lhes dou a paz como o mundo a dá...” (Jo 14:27).

Por último, aos que insistem no orgulho das aparências, Ele faz um convite, que não é condenatório mas cheio de amor: ‘‘Vocês dizem : Somos ricos, estamos bem de vida e temos tudo o que precisamos. Mas não sabem que são miseráveis, infelizes, pobres, nus e cegos. Portanto, aconselho que comprem de mim ouro puro para que sejam, de fato, ricos. E comprem roupas brancas para se vestir e cobrir a sua nudez vergonhosa. Comprem também colírio para os olhos a fim de que possam ver. Eu corrijo e castigo todos os que amo. Portanto, levem as coisas a sério e se arrependam.” (Ap.3:17-19).

Grato pela acolhida e leitura, deixo-lhes um forte e respeitoso abraço.

Pr. Raimundo Aires Carneiro

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