03-12 - 14:00h - Por que o produtor rural dificilmente lucra?

Nas últimas décadas, o mundo tem sido agraciado com farta oferta de alimentos a preços baixos. Ao contrário do que muitos pensam, a volatibilidade nos preços também tem sido menor do que aquelas ocorridas até o início dos anos 1980. De repente, em um intervalo de três anos presenciamos duas fortes altas nos preços das commodities agropecuárias. No entanto, essas altas foram muito inferiores àquelas com que costumávamos lidar no passado, e os preços atuais ainda encontram-se 30% mais baixos em termos reais do que aqueles verificados até os anos 1970, mas em torno de 65% acima dos preços registrados em 2000 (ano com os preços mais baixos da história).
Diante de preços mais remuneradores, a maioria dos analistas não tarda em concluir que a renda no campo certamente se elevará sobremaneira. A verdade é que a melhora na cotação das commodities agropecuárias é frequentemente acompanhada da elevação no preço dos insumos à produção, haja vista que as indústrias fornecedoras, que geralmente tem forte poder no mercado, tomam para si a maior parte do aumento de preços. Do outro lado, as indústrias compradoras de produtos in natura também capturam grande fatia da alta nos preços. Soma-se a isso o fato de que a maior parte dos insumos agrícolas é composta de derivados do petróleo (diesel, fertilizantes etc.), commodity que experimentou um aumento real de preços da ordem de 150% desde 2000.
Num quadro que se apresenta de forte pressão na demanda sobre a oferta, o Brasil, como um dos poucos países com capacidade de expandir a área plantada, tem oportunidade ímpar para tirar proveito dessa conjunção global que lhe favorece. É surpreendente, no entanto, o fato de que todos os analistas se esquecem de que a condição central para a produção avançar é que seja garantida a renda no campo. Não adianta haver capacidade produtiva ociosa e demanda não atendida no mundo. Se o produtor não for o elo que receber a maior atenção, a produção não avançará da forma que o país precisa para gerar renda, emprego e qualidade de vida. Para que a produção brasileira avance, o produtor tem de passar a ser o centro da cadeia produtiva.
A realidade de demanda e oferta mundial, em que a oferta tem de crescer no mínimo 70% até 2050, de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), exige que o Brasil atinja esse patamar nas próximas décadas: portanto, cabe a nós aproveitarmos essa oportunidade.

Por Juliana Chaves
Colaboração enviada pelo Economista
Sr. EUGÊNIO L. JARDIM (CoREcon - DF),
que também é produtor rural em Goiás - GO

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